segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Arena – Entre a Construção e a Implosão

O Projeto Arena jamais foi unanimidade no Grêmio, seja pela condução do processo nas gestões anterior e atual, seja pela natural desconfiança que acompanha uma iniciativa orçada em um bilhão de reais. O Conselho do Grêmio, contudo, aprovou a construção do novo estádio, tornando a partir daquele momento a Arena um objetivo institucional do Grêmio. O debate, todavia, jamais cessou e prosseguiu nos microfones, jornais – por meio de “plantações” de notícias verídicas ou inverídicas - e nos blogs de internet, muitas vezes sem qualquer identificação dos autores das críticas em textos apócrifos, uma “mina de ouro” para os meios midiáticos sedentos por crises na Azenha e para os colorados que insistem em torcer contra a Arena, ao qual taxam de “estádio virtual”, como se o ambicioso projeto vermelho tivesse algo de real até o momento.

Os vários movimentos políticos do Grêmio têm duas opções muito simples neste exato momento da histórica do tricolor. Ou abracem o projeto, trabalhando para que ela seja melhorado e executado, ou implodam definitivamente com ele nas rusgas constantes, eivadas de rancor, como numa eleição que parece não ter chegado ao fim. Não serve aos interesses do Grêmio que a Arena faça parte de um debate político de confrontação, mas sim baseado no diálogo. Muitas críticas são dedicadas àqueles que defendem a reforma do Olímpico, uma posição que vejo como legítima por estar calcada em idéia e projeto alternativos, quando o verdadeiro problema está nos debates sobre pessoas, terreno fértil para fortes e irreconciliáveis desavenças com potencial de afetar o futuro do projeto.

É chegada a hora de se abandonar o comportamento quase infantil, para não dizer burro, de mostrar quem é mais forte ou pode mais para se trabalhar pelo interesse maior da instituição. A Arena é o projeto mais importante da história do Grêmio e capaz de garantir ao clube um salto de qualidade sem precedentes no mercado do futebol brasileiro, mas para que o projeto se torne realidade e cumpra com as expectativas da legião gremista espalhada pelo mundo impõe-se uma mudança radical de conduta, substituindo-se a guerra de notas e gabinetes pela construção dos objetivos comuns.

Alexandre Aguiar

Sócio Patrimonial e Conselheiro do Grêmio

4 comentários:

Sponchi disse...

Muito bom Alexandre, mas acredito ser utopia pensar que os grupos políticos (?) comecem a ter "objetivos comuns", infelizmente.

Torço para que o projeto saia logo do papel, creio que para isso falte apenas a linha de crédiot e/ou a isenção dos impostos.

Não tenhamos nunca a unanimidade, o que se pode fazer é a vontade da maioria, e isso é o que ocorreu. Se os derrotados não se conformam, então eles não estão preparados para democracia e é isso que impera (deve) no Grêmio.

Esta na hora de começar a realmente ajudar ao Grêmio e não fingir de!

Antonio disse...

Sou colorado, mas tenho que reconhecer que o projeto Arena é digno de qualquer grande clube do mundo, o estádio será maravilhoso e de 1° mundo. Só não digo que como colorado tenho inveja deste projeto porque antes de tudo sou portoalegrense e por esse motivo só posso dizer que estou muito orgulhoso por um projeto como este estar em minha cidade.

Bruno disse...

Parabéns pela posição, Alexandre. Compartilho do mesmo sentimento e, portanto, temo que por razões políticas o maior projeto em termos patrimoniais da história do Grêmio não saia do papel. Torço para que continue atuante na defesa desta causa, que não é somente nossa, mas de 90% da torcida gremista.

Paulo Afonso disse...

Desqualificar as opinião dos que se opõem ao implantação do projeto no Humaitá, em nada contribui para um debate produtivo sobre este assunto. São respeitáveis os argumentos daqueles que defendem a permanência na Azenha e a reforma do Olímpico, afinal, ali é a casa do Grêmio. Ademais, até que saia o aval do BNDES, a ARENA é apenas uma intenção, não uma perspectiva real. O Olímpico, por mais que dele desdenhem, está de pé e assim deverá ficar até que o sonho ARENA vire realidade. Quem viver verá. Uma coisa é certa: empate não haverá.